
A origem da tipografia e da escrita árabe
De acordo com historiadores e estudos contemporâneos, a escrita árabe é um ramo das escritas semitas, nas quais as consoantes estão representadas. A escrita árabe desenvolveu-se comparativamente num breve espaço de tempo. O árabe tornou-se um alfabeto muito usado e hoje é o segundo em uso, perdendo somente para o alfabeto romano.
Os árabes eram um povo basicamente nômade. Antes do surgimento do Islã, viviam uma vida dura, mas tinham uma cultura rica que se expressava na escrita e na poesia. Muito antes de se tornarem uma nação islâmica, os árabes reconheciam o poder e a beleza das palavras. A poesia, por exemplo, era parte essencial da vida cotidiana e as habilidades linguísticas eram exibidas na literatura e na caligrafia. Os primeiros árabes nutriram um grande apreço pela palavra falada, e mas tarde pela sua forma escrita e pela sua caligrafia.
A escrita árabe deriva da nabatéia, que, por sua vez, vem da aramaica. Os nabateus eram árabes semi-nómadas que viviam numa área que se estendia desde o Sinai e norte da Arábia, até o sul da Síria. O seu império incluía as cidades de Hijr, Petra e Busra. Embora o império tenha acabado em 105 d.C., sua língua e escrita tiveram profundo impacto sobre o desenvolvimento do alfabeto arábico.
Arqueólogos e estudiosos analisaram e estudaram inscrições nabatéias, que representam um estágio de transição mais avançada para o desenvolvimento de caracteres arábicos, como o namarah, do famoso poeta pré-islâmico Imru´al Qays, que data de 328 d.C. Uma outra inscrição, datando do século VI, confirma a derivação da escrita arábica do nabateu e assinala o nascimento de formas escritas arábicas distintas.
Na década de 650 d.C., foram consignadas, por escrito, as primeiras versões completas do Alcorão, numa forma denominada Jazm, que revela uma influência nabatéia. Esta, por sua vez, influenciou, o desenvolvimento da escrita cúfico, de traço vigoroso e angular, que durante séculos se tornou o meio mais popular de recordar o Alcorão sagrado. Simultaneamente, desenvolveram-se outras escritas cursivas com fins burocráticos e privados e, em meados do século X, já estavam fixadas as seis escritas clássicas da caligrafia islâmica: Thuluth, Naskh, Muhaqqah, Raihani, Tawqi e Riqa.
A escrita do norte árabe foi a primeira a ser introduzida e estabelecida na parte nordeste da Arábia. Durante o século V, as tribos nômades árabes, que viviam nas áreas de Hirah e Anbar, usaram esta escrita. Na primeira parte do século VI, a escrita dessa região alcançou Hijaz, na Arábia oriental. Acredita-se que Bishr ibn Abd al-Malik tenha introduzido e popularizado o uso deste alfabeto na tribo coraixita do profeta Muhammad, e que foi adaptado com entusiasmo por outras tribos das cidades vizinhas.
O Jazm é o alfabeto árabe mais antigo de que se tem referência. Acredita-se que era uma forma mais avançada do alfabeto nabateu. As letras rígidas, angulares e bem proporcionadas do alfabeto jazm iriam influenciar mais tarde o famoso alfabeto kufi.
Nesta mesma época o papel foi introduzido ou melhor no ano 751 d.C., vindo da China para Samarcanda. Este foi o marco decisivo na arte da escrita e desempenhou um papel importantíssimo nas inúmeras invenções e que reformariam a caligrafia árabe. Este novo meio de comunicação escrita teve um impacto decisivo sobre todos os aspectos da civilização islâmica.
O papel era feito de algodão e, algumas vezes, de seda ou de outras fibras, mas não de madeira. Ele era polido com uma pedra lisa, como a ágata ou o jade antes que o calígrafo começasse a escrever. Linhas de orientação quase invisíveis eram traçadas com uma ponta e as letras ficavam sobre essas linhas.Os instrumentos típicos do ofício para a escrita incluíam penas de junco e pincéis, tesouras, uma faca para cortar as penas, um tinteiro e um apontador. A pena de junco, segundo Safadi, era a preferida pelos calígrafos islâmicos. Esta pena, chamada de cálamo, ainda é um instrumento importantíssimo para o verdadeiro calígrafo.
Os juncos mais procurados eram oriundos das terras costeiras do Golfo Pérsico. Os calamos eram objetos valiosos e foram comercializados por todo o mundo muçulmano.
Uma escrita versátil precisava de diferentes calamos, a fim de alcançar os diferentes graus de delicadeza. Moldar um junco exigia do escriba habilidades excepcionais. Além disso, tinham um conhecimento preciso de como identificar a melhor vareta que fosse adequada para ser uma boa pena, como aparar as pontas e como cortar as varetas exatamente no centro, de modo que o corte tivesse metades iguais.
Uma boa pena era cuidadosamente guardada e, algumas vezes, passava de uma geração a outra. Outras vezes, ela era enterrada com o calígrafo quando ele morria.
Eram usadas tintas de muitas cores, incluindo o preto, o castanho, o amarelo, o vermelho, o azul, o branco, a prata e o ouro. O preto e o castanho eram as cores mais freqüentes e usadas, porque a sua intensidade e consistência podiam variar constantemente. Muitos calígrafos davam instruções de como preparar a tinta, mas muitos guardavam em segredo as suas receitas. A tinta feita pelos persas, hindus e turcos conservavam a sua frescura por um tempo considerável. A preparação da tinta levava muitos dias e envolvia complicados processos químicos. Por causa de seu poder de preservar o conhecimento e transmiti-la a todas as partes do mundo, a tinta era comparada com a água e o calígrafo como uma pena nas mãos de Deus.
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